Postagens

Imagem
A (IN)FIDELIDADE PARTIDÁRIA E OS ALIADOS NÃO ALINHADOS A política é uma ciência extraordinária! Ela promove, entre os sete pecados capitais, espaço suficiente para seis deles. O avarento que ocupa um cargo ou atua neste cenário em qualquer nível das suas escalas, tem neste pecado, um amor incondicional pelo dinheiro e tudo que os bens materiais oferecem. O que se deixa dominar pela luxúria é aquele que acredita que as malas de dinheiro superam o pouco suficiente que vem de Deus! Já os escravos da ira, se deixam contaminar pelo ódio, mágoa e vingança. O invejoso, por si só, se define no próprio adjetivo da palavra. Mas, neste meio, há também o preguiçoso, que nada faz e sempre espera que o outro faça por ele. Por fim, o orgulhoso ou vaidoso é aquele que não se preocupa com quem não esteja no mesmo nível que ele acredita estar. E estes pecados provocam o combustível necessário para que os pecadores ou vítimas destas fragilidades carnais, se duelem entre si, se machuquem, se auto...
Fico pensando em uma terra que ganha anjos e não percebe, na dimensão merecida, quando eles partem. Terra de tão poucos poetas, tão raros, e quando existem, tão nobres. Santo Sousa, santo até no nome, amado de Cristo, que partiu acreditando na ressurreição, foi convidado por Deus a morar no céu, enquanto dormia, na sexta feira da paixão de quem ele amou. Que privilégio, meu Deus! Que merecido privilégio. O vi poucas vezes, muito raras, porém, encontros intensos e inesquecíveis. Pensei no céu e vi um poeta caminhando por sobre pedras preciosas, calçadas de ouro e marfim, com vestes luminosas a escrever versos celestiais. Seus olhos lançaram-se à terra e uma gota se fez cair no orvalho. Era a lágrima dele. Mistura de saudade e alegria de quem foi salvo. Não pela poesia. Pela fé. Santo, santo, santo é o Souza, poeta de Deus, que habitará entre nós, em forma de palavras.
O trem está chegando e é chegada a hora de partir. Esperei o tempo que me coube, perdi todas as passagens duplas à sua espera. Já não disponho de tempo ou esperança, mesmo que de repente apareça na escada como quem chega apressado, não como quem chega, mas como quem sabe que já perdeu. Esperei além do roteiro do trem, pela fé, esperei. Fui posta na espera para cansar de esperar. Até que o cansaço chegou antes de você. Não precisamos de despedidas. Nunca estivemos juntos, passamos ao lado do outro, como quem quer o que não sabe se; se nos faltou entendimento, não sei; só sei que não estou mais aqui.
Quase imperceptível sua presença foi sendo notada por palavras sem nexo que me faziam no ar. Até perceber a insistência do teu canto sobre o meu. Querias algo. Deixa-me quietinha, estou ferida. Sai de campos de batalha em grandes guerras internas. Não suportaria outra afronta. Se não vens para salvar-me, não atires a misericórdia de uma morta. Se não vens para que eu ouça todas as palavras merecidas de afeto, caminha adiante em busca de outro monte, e abandona este campo o quanto antes. Não maltrates uma alma acamada. Um coração galopante que ancorou para não ser atingido por flechas desconhecidas. Quase nada te vejo. Ser engraçado não é o mesmo que ser belo, mas ser belo não é o mesmo que ser tudo. Algo em teus olhos e lábios chama os meus. Algo. E se for uma cilada? Mais uma em meu caminho terei feito um museu delas. Cansei. Não me canses. Não me enfades ainda mais. Quero-te. Não quero. Mas, quero-te. Nem sei se quero. Tem sido assim. Fico a espera do destino a espreita para saber se...
Anjos descem dos céus? Anjos vivem nele. Num sopro viestes ocupar minhas noites de luta entre cartas diárias de amor que me mandavas. A distância aumentava ainda mais o desejo da presença. O teu desejo por mim amparou-me na espera desta confiança, e aprendi a amar-te pelo teu amor. A tua angelitude me comovia e a doçura das tuas palavras alimentavam minhas lutas de sobrevivência. Como podias amar uma fêmea que carregava no ventre um filho que não era teu? Quando chegastes o feto já estava em mim, e eu despedaçada de sentimentos incompletos, vagava a procura de um porto seguro. E como um marinheiro aportastes com teu navio, oferecendo-me mil iguarias jamais vistas pelos meus olhos. Encantei-me pelo teu encanto em encantar. Me deixei levar por tua paixão de fã trazendo as mãos a câmara que registrava minhas primeiras sonoridades em frente ao mar. Qual seria o problema de dar oportunidade a um homem bom de tornar-se anjo da minha gestação solteira, enquanto debulhava poesias de amor aos m...
A vaidade não deveria nortear a paixão. Esta, o faz. Enlaça-nos nas fragilidades que derramamos enquanto nossos passos caminham. E foi assim entre nós. Um corpo dos deuses numa alma de menino. Ganhei um homem e adotei uma criança. Ao mesmo tempo, juiz do teu território, aprisionou-me afastando qualquer elemento que infiltrasse desagrados contra teu poder. Até mesmo do meu sangue, fizestes. No pequeno espaço que delimitaste, teria eu a missão de prestar contas dos meus atos a cada segundo, até quando não estavas. Encontrei um pouso com direito a prisão. Entre a violência e a doçura, um amor sem nascimento. A carência empedrada de infância vulnerabilizou meu coração, este que fugia da solidão. Aceitei-te para não me ter em companhia. Não suportava o silêncio da casa, da cama e das horas. E tu, sempre cercando a presa, evitavas perder-me de vista. E ceguei as minhas para ver o caminho somente pelos teus olhos. Amores que cegam são amores que aniquilam a estima. E a minha, havia se perdido...
Portais brancos aportaram teus umbrais, e nem percebi tais penumbras. Teu sorriso largo omitiu a cor do espelho, e me rendi lentamente, como uma dança de ventre, como o namoro do vento com a areia que se levanta, sem saber voar. Havia em teu gesto a impetuosidade de quem arrancava ervas de outras plantações, como se fosse jardineiro delas. Aceitei teus pareceres, repugnei companhias indiferentes, aprimorei meus sentidos e te obedeci. Nem percebi que o coração fora junto com a minha dependência. Me rendi aos teus domínios como a velha criança sábia, que sabe de palavras, sem discernir batidas de um amor reverberante. Só sei que me lancei em tuas águas escuras. Observava teus ataques, e optei por não enfrentá-las, defendendo-o de quem ousasse tocar tuas vestes violentamente. De todas as flores do jardim, o cravo, que eras tu, continuavas sendo preferido. Despertei teus sentimentos, acordei tuas noites, enveredei por teus segredos e os revelei no centro do altar, antes do casamento. Como ...