O trem está chegando e é chegada a hora de partir. Esperei o tempo que me coube, perdi todas as passagens duplas à sua espera. Já não disponho de tempo ou esperança, mesmo que de repente apareça na escada como quem chega apressado, não como quem chega, mas como quem sabe que já perdeu. Esperei além do roteiro do trem, pela fé, esperei. Fui posta na espera para cansar de esperar. Até que o cansaço chegou antes de você. Não precisamos de despedidas. Nunca estivemos juntos, passamos ao lado do outro, como quem quer o que não sabe se; se nos faltou entendimento, não sei; só sei que não estou mais aqui.
O MINOTAURO (CAP.IV)
Seria um Deus grego renascendo num cenário impróprio, ou a esperança de um amor que nunca aconteceu? Pobres olhos, os meus, que se paralisaram diante da tua beleza. Conhecia o silêncio de Deus que sussurrava em meus ouvidos poesias matinais numa linguagem desconhecida aos homens. O mesmo silêncio revestiu teu semblante quando teu olhar passou a ser o teu som, e quando teu som passou a ser teus passos que vinham ou sumiam sem notícias do amanhã. E na Casa que abrigava o amor eterno, encontrei o amor que ressoou em meu peito como uma canção única em que interpretamos com perfeição, apenas uma vez. Depois de partir, por onde iam meus pés, lá estavam teus olhos vigiando meus sentidos como um dono de terreno árido ansioso por fertilidades. Os teus, sempre teus olhos invadiram meus compartimentos, e teu cheiro que nunca senti, parecia saber onde morava o meu. Passei a desejar o mesmo endereço, os mesmos domingos em que te via distante observando meus passos. Todos os amores que senti não pod...
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