Fico pensando em uma terra que ganha anjos e não percebe, na dimensão merecida, quando eles partem. Terra de tão poucos poetas, tão raros, e quando existem, tão nobres. Santo Sousa, santo até no nome, amado de Cristo, que partiu acreditando na ressurreição, foi convidado por Deus a morar no céu, enquanto dormia, na sexta feira da paixão de quem ele amou. Que privilégio, meu Deus! Que merecido privilégio. O vi poucas vezes, muito raras, porém, encontros intensos e inesquecíveis. Pensei no céu e vi um poeta caminhando por sobre pedras preciosas, calçadas de ouro e marfim, com vestes luminosas a escrever versos celestiais. Seus olhos lançaram-se à terra e uma gota se fez cair no orvalho. Era a lágrima dele. Mistura de saudade e alegria de quem foi salvo. Não pela poesia. Pela fé. Santo, santo, santo é o Souza, poeta de Deus, que habitará entre nós, em forma de palavras.
Postagens
Mostrando postagens de 2014
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O trem está chegando e é chegada a hora de partir. Esperei o tempo que me coube, perdi todas as passagens duplas à sua espera. Já não disponho de tempo ou esperança, mesmo que de repente apareça na escada como quem chega apressado, não como quem chega, mas como quem sabe que já perdeu. Esperei além do roteiro do trem, pela fé, esperei. Fui posta na espera para cansar de esperar. Até que o cansaço chegou antes de você. Não precisamos de despedidas. Nunca estivemos juntos, passamos ao lado do outro, como quem quer o que não sabe se; se nos faltou entendimento, não sei; só sei que não estou mais aqui.