Fico pensando em uma terra que ganha anjos e não percebe, na dimensão merecida, quando eles partem. Terra de tão poucos poetas, tão raros, e quando existem, tão nobres. Santo Sousa, santo até no nome, amado de Cristo, que partiu acreditando na ressurreição, foi convidado por Deus a morar no céu, enquanto dormia, na sexta feira da paixão de quem ele amou. Que privilégio, meu Deus! Que merecido privilégio. O vi poucas vezes, muito raras, porém, encontros intensos e inesquecíveis. Pensei no céu e vi um poeta caminhando por sobre pedras preciosas, calçadas de ouro e marfim, com vestes luminosas a escrever versos celestiais. Seus olhos lançaram-se à terra e uma gota se fez cair no orvalho. Era a lágrima dele. Mistura de saudade e alegria de quem foi salvo. Não pela poesia. Pela fé. Santo, santo, santo é o Souza, poeta de Deus, que habitará entre nós, em forma de palavras.
O MINOTAURO (CAP.IV)
Seria um Deus grego renascendo num cenário impróprio, ou a esperança de um amor que nunca aconteceu? Pobres olhos, os meus, que se paralisaram diante da tua beleza. Conhecia o silêncio de Deus que sussurrava em meus ouvidos poesias matinais numa linguagem desconhecida aos homens. O mesmo silêncio revestiu teu semblante quando teu olhar passou a ser o teu som, e quando teu som passou a ser teus passos que vinham ou sumiam sem notícias do amanhã. E na Casa que abrigava o amor eterno, encontrei o amor que ressoou em meu peito como uma canção única em que interpretamos com perfeição, apenas uma vez. Depois de partir, por onde iam meus pés, lá estavam teus olhos vigiando meus sentidos como um dono de terreno árido ansioso por fertilidades. Os teus, sempre teus olhos invadiram meus compartimentos, e teu cheiro que nunca senti, parecia saber onde morava o meu. Passei a desejar o mesmo endereço, os mesmos domingos em que te via distante observando meus passos. Todos os amores que senti não pod...
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